Seminário de Socioeducação debate estratégias para desviar adolescentes de atos infracionais

Evento realizado no auditório da Unipar trouxe a Cascavel Francisco Xavier, técnico do Ministério da Cidadania, que compartilhou conhecimento específico e destacou os cuidados e atenção que devem ser tomados
O 4º Seminário Municipal de Socioeducação foi aberto na manhã desta terça-feira (8) no auditório da Unipar, em Cascavel. Organizado pela Secretaria de Assistência Social (Seaso), o seminário tem como objetivo debater o tema tecnicamente e apresentar estratégias para desviar crianças e adolescentes de atos infracionais.

O evento trouxe a Cascavel o técnico do Ministério da Cidadania, Francisco Xavier, que compartilhou seu conhecimento específico na área.

O prefeito Leonaldo Paranhos, que esteve na abertura, destacou que a rede de assistência em Cascavel é referência para o Brasil, não só na questão física, como em servidores que atuam nas políticas públicas voltadas ao setor.

“Nós estamos indo agora para o décimo Cras, o oitavo centro de convivência, uma rede bem estabelecida, e uma rede de pessoas, de servidores, que têm um trabalho maravilhoso, nós somos de fato referência. Claro, o Judiciário nos acompanha, nos cobra e ajuda, por isso que eu falo do grau de maturidade que a nossa cidade está tendo”, afirmou.

O secretário de Assistência Social, Hudson Moreschi Junior, lembrou que o tema é específico e requer todo o cuidado e atenção por se tratar de adolescentes que cometeram algum delito e tiveram alguma penalidade imposta pela Justiça.

O debate em torno do assunto chamou a atenção de outros municípios, que enviaram servidores para participarem do seminário. No total, foram mais de 300 inscrições.

“Isso demonstra que o tema é muito importante para a sociedade, visto que nós estamos falando do atendimento de adolescentes, e vamos tratar tanto de casos em que o delito já aconteceu, como em casos de prevenção, que entendemos ser o melhor caminho, evitar que nossas crianças e adolescentes acabem caindo no mundo do crime, que é o pior dos cenários que nós podemos ter. Então, por isso, devemos tratar do problema já posto e também das prevenções”, observou.

Hudson ressalta que é importante buscar estratégias que evitem um desgaste familiar ao adolescente ser cooptado pelo mundo crime.

“É muito mais baixo o investimento na prevenção do que depois do problema posto, nós entendemos que o investimento na prevenção é o melhor caminho através da implantação dos centros de convivência intergeracional. Em Cascavel já temos sete centros de convivência e estamos com a previsão do oitavo centro, obra que vai iniciar em janeiro de 2023 lá no bairro Santa Felicidade, demonstrando essa iniciativa do governo municipal na prevenção e do atendimento para essas pessoas em situação de vulnerabilidade”, afirma o secretário.

O palestrante Francisco Xavier, especializado em serviço social, diz que o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) é um órgão prioritário para o atendimento de crianças e adolescentes.

“Quanto mais a gente intervém na vida do adolescente, especialmente adolescente que está nessa situação com proteção e também com especialização, o serviço compreende essas duas dimensões e a gente consegue favorecer para que ele possa superar essa trajetória infracional, para que ele possa retornar à escola, retornar para família e que ele possa ter acesso aos seus direitos e também que ele possar reconstruir esses laços com a comunidade que, muitas vezes, foi rompido”, observa.

O juiz da Vara da Infância e do Adolescente, Fabrício Priotto Mussi, observou que são várias formas de dar resposta às situações.

“Então nós temos que ter uma abordagem ampla, seja no sentido de compreender as causas que levaram a essa situação, seja no sentido de trabalhar esses adolescentes para reconhecer os erros que eles fizeram”, observou.

Ele lembrou que é preciso um olhar diferenciado ao adolescente por ele ser ainda uma personalidade em formação.

“Nós temos que trabalhar para ele e ajustá-lo, então não é um olhar de punição, é um olhar de responsabilização. Ele tem que entender o que ele fez e o que isso impacta para poder mudar sua conduta, porque o ideal é ele não voltar a praticar, porque se ele fica no sistema de contenção, sem a necessidade de contenção, pode causar algum problema maior em longo prazo”, observa.

O magistrado destaca a preocupação do Município de Cascavel em torno do tema  e lembrou que existe um Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) exclusivo para cumprimento de medidas socioeducativas.

Foto: Vanderlei Faria/Secom

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