Uma escola e uma comunidade que nasceram da construção de uma barragem

Comunidade da Escola Municipal do Campo São Francisco de Assis preserva sua história de luta e oferece Educação de qualidade no Campo
Quem esteve presente ontem (24), no IV Seminário de Educação do Campo, que aconteceu no Ceavel, certamente se emocionou com a história da criação da comunidade do Reassentamento São Francisco, bem como da Escola Municipal do Campo São Francisco de Assis e Colégio Estadual do Reassentamento, contada pelos alunos da unidade.

História, que é preservada com muito carinho pela comunidade e que está registrada inclusive nas paredes da escola, fruto da uma ação recente da APPS e APMF das escolas municipal e estadual, que funcionam em dualidade administrativa e permitiu a contratação de um pintor artístico que embelezou o prédio com pinturas que contam um pouco da luta das famílias pela garantia dos direitos pela terra, após terem suas propriedades atingidas pela construção da barragem da Usina Salto Caxias.

No Seminário, os alunos encenaram a trajetória das famílias desde o tempo em que ainda moravam em suas comunidades de origem, até o impasse dos acordos por indenização, até a criação do Reassentamento São Francisco, e encerraram cantando todos num belo coral a canção ‘Não vou sair do Campo’, de Gilvan Santos.

Quem estudou bastante e também viveu na infância esta realidade, é a coordenadora pedagógica da escola, a professora Jeisinara Santos da Rocha, que até já dissertou sobre a história das famílias atingidas pela barragem em um trabalho de conclusão de curso. Segundo ela, o Reassentamento São Francisco é o resultado de 10 anos de muita luta para o mesmo se consolidasse. “Foram muitas viagens e confrontos políticos e econômicos, para se ter um retorno de que saindo do local da construção da Barragem do Rio Iguaçu, teriam outro lugar para se abrigar, juntamente com sua família”.

Ela conta que apesar das dificuldades que as famílias viviam nas comunidades onde foi construída a usina e a barragem, a saída do local foi um grande desafio, pois todos ja tinha suas terras e teriam que sair para um local ainda desconhecido, sendo reassentado novamente, depois de muita luta para garantir os direitos, mas por terem que recomeçar a vida em um local totalmente diferente.

“Ao chegar aqui no reassentamento a luta continuou, pois as casas não estavam prontas e as terras não eram aptas para o plantio. Não se tinha escola, posto de saúde, nem igreja nas comunidades”, conta a coordenadora.

Jeisinara lembra que a Educação foi uma das grandes preocupações da comunidade, que logo se mobilizou pela conquista de uma escola, que teve sua construção iniciada no ano de 1998. A implantação da escola sempre teve participação bastante ativa da comunidade. “Como o objetivo da educação que pretendia se implantar era uma educação voltada para a realidade do campo, os agricultores e agricultoras participaram de todas as reuniões, pois era e educação de seus filhos que estava sendo discutida”.

As atividades iniciaram em 1999 e no ano de 2000 a escola recebeu a autorização de funcionamento, em um prédio escolar dual construído pela Copel e doado à comunidade Reassentada no local. Atualmente as escolas municipal e estadual seguem atendendo de forma dual. A Escola Municipal do Campo São Francisco de Assis atende 123 alunos da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental.

Educação de qualidade no Campo

A diretora da Escola Municipal do Campo São Francisco de Assis, Elizete Gonçalves Ribeiro, que fez parte da mesa de honra na abertura do Seminário, falou da importância do tempo ganho com as reflexões que ocorreram ontem no Seminário de Educação do Campo, bem como a importância da construção das diretrizes curriculares municipais da Educação do Campo, tendo em vista a realidade e particularidade do ensinar e aprender nas comunidades.

“Nós precisamos garantir conhecimento científico de qualidade para os nossos alunos. Quando lá no currículo explicita que nós temos que iniciar o nossos trabalhos pensando na particularidade, pensando na realidade e cotidiano da criança, não é diferente na escola do campo, então a Educação do Campo não se difere nesse sentido, contudo, nossa realidade é diferente pois permeia por outros espaços, outras discussões que vão além da sala de aula”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *